E colori os meus sonhos. E parti para uma nova aventura. O meu rumo entreabriu-se entre ruínas, e eu aqui estou para o reconstruir!



Tinha acabado de regressar da Avenida da minha pastelaria preferida, e olhei de relance para todos os cantos da casa, como se me parecesse meia estranha e fria, como se tivesse um segredo bem guardado para me contar, mas ao mesmo tempo o quisesse omitir e encobrir de certos múmurios que trespassam as paredes, diariamente, e as cobrem todos os dias, com os mornos comentários de almas sem sentido de doação e transmissão de coragem. Olhei pela redonda janela que habita o meu primeiro andar, e que se encontra virado no sentido do pôr-do-sol, o qual solta uma incandescência que é já impersceptivel. Ao longe, avisto os pontinhos de luz que começam a iluminar as pequeninas ruas, os minúsculos carros que passam apressadamente como flechas... mas, ao longe, destaca-se o prédio central da Praça, que iluminado faz lembrar os grandes arranha-céus dos Estados Unidos, por onde se estendem aquelas grandes passadeiras felpudas para darem passagem aos modelos e actores que têm o privilégio por lá passar - já pensei como será a vida de uma "estrela" e a sensação sufocante, com um misto de fúria e a deslumbrante imagem com que ficam depois de serem avistados e comentados por todos aqueles que os aplaudem! Por vezes, ponho-me a pensar no que significarão todos aqueles pontinhos de luz, já que em todas as ocasiões a vida nos proporciona sempre um "sim", ou até mesmo um "não" cru e bem visível aos nossos olhos. É como se me contassem um conto de fadas, daqueles onde saímos sempre vencidos, onde o mundo "maravilha" nunca é só um sonho, mas sim onde a mais pura da imaginação se torna realidade e todos os sonhos se concretizam. É bom, e ainda espero mais tarde apagar as más memórias, e realmente concordo com uma certa apresentadora e actriz, quando esta afirma o poder exuberante que a vida exerce no nosso próprio ser, sempre a testar a nossa maneira de ser:

